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    "Estimular a capacidade para aprender" - Jonas Prising à Revista Exame

    27.04.2017


























    Exame: Fala com frequência numa revolução de skills. De que forma isso está a mudar o mundo do trabalho?
    Jonas Prising: Há um grande número de mudanças estruturais a acontecerem no mercado de trabalho. A ManpowerGroup está ativa em 80 países, temos 3,5 milhões de pessoas que trabalham para nós todos os anos, estamos neste negócio há 70 anos, por isso sabemos como o mercado se desenvolve. Identificámos mudanças estruturais que, resumidamente, são mudanças demográficas, porque muitos mercados desenvolvidos, e mercados emergentes, têm uma população envelhecida; a tecnologia, que tem um grande impacto no que está a acontecer e que está a dirigir a globalização; e as empresas estão a caminhar em diferentes sentidos. Estão a adaptar-se a um ambiente muito mais volátil e global. Tudo isto significa que vivemos numa era em que o acesso às skill talent é uma vantagem competitiva para as empresas e para os países. 

    E: Que conselhos pode deixar a quem procura um emprego neste novo mundo laboral?
    JP: Procurem algo que os apaixone. E tenham múltiplas experiências de trabalho, sejam elas qual forem. É muito melhor do que não ter qualquer experiência. Têm de pensar em estar preparados para trabalhar. E só conseguem fazer isso, fazendo um pouco de tudo, desde o voluntariado, a trabalho social. Todas as experiências e todos os trabalhos vão dar-lhes a oportunidade de interagir e comunicar com outras pessoas, têm de entender aquilo que lhes é pedido no ambiente de trabalho, vão ter de cumprir horários e tudo isso vai ajudá-los a descobrir o que gostam e o que não gostam de fazer.

    E: E quanto aos empregadores. Quais devem ser as preocupações quando se está a formar uma equipa?
    JP: Ao nível macro, creio que as empresas vão ter de se adaptar a novos modelos de trabalho, às novas práticas das pessoas e a novas fontes de talento. Porque a evolução que vemos acontecer com a tecnologia, significa que temos de ser muito ágeis e flexíveis. As empresas têm de se focar para poderem competir e serem o empregador escolhido. Se quiserem ter sucesso tem de ter as melhores pessoas a quererem trabalhar consigo.

    E: O que pensa do mercado português em termos de capital humano?
    JP: Acho que têm muita força enquanto nação. Têm capacidade, tem uma força de trabalho diversificada, capacidade para línguas, são culturalmente diversificados e inclusivos. E têm boas infraestruturas tecnológicas.

    E: Então estamos no bom caminho...
    JP: Estão no bom caminho agora. Mas para serem bem-sucedidos, não só agora mas também no futuro, têm de se focar no desenvolvimento da sua força de trabalho. Porque se a ideia for Portugal ser o país com os ordenados mais baixos da Europa, isso não vai ser uma boa estratégia de longo prazo. Enquanto país, deve construir competitividade a longo prazo. Porque agora têm, claramente, uma oportunidade e vantagem competitiva. Mas a questão é: O que vão fazer para se manterem competitivos no futuro.

    E: Quais são atualmente, os grandes desafios do mundo do trabalho?
    JP: São muitos e diferentes. Mas temos de entender que nada vai ser como foi. Temos de andar para a frente, mas isso significa que as estruturas de apoio, quer para os indivíduos quer para as empresas, também têm de se ajustar a um modelo diferente. A capacidade para aprender tem de ser mais sustentável, temos de ser capazes de gerar esse tipo de interesse nas pessoas, de terem vontade de estar sempre a aprender algo novo.

     
    Em Revista Exame
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