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    A maioria dos empregos não vai ser substituída, mas vai ser impactada pela tecnologia

    17.05.2017

    Os desafios no mundo do trabalho

    Quais são os principais desafios em termos de recursos humanos?
    Jonas Prising: O mercado do trabalho está a mudar a um ritmo rápido, havendo vários fatores de natureza estrutural que começam a impactá-lo. Temos as alterações demográficas em que a população está a envelhecer; as companhias a pensar de maneira diferente em relação aos talentos, percebendo agora que terem talentos com mais competências é uma vantagem competitiva tanto para elas como para os países; os indivíduos a fazerem diferentes escolhas devido ao modo como percecionam a sua carreira; e, em último lugar, a tecnologia, que está a ter um impacto disruptivo, nomeadamente na maneira como os empregadores se comportam. Estas quatro tendências começam a impactar grandemente o comportamento das organizações.
    Mara Swan: Os modelos de negócio estão a mudar tão depressa que é difícil conciliar as necessidades dos talentos com as dos negócios.




























    O que se pode fazer para conciliar essas necessidades?
    MS: Passou tudo a girar muito em torno da automatização e da digitalização e alguns experts dizem mesmo que 90% da força de trabalho será impactada. Ninguém sabe realmente o que vai acontecer no futuro, mas sabemos que as competências vão mudar e acreditamos na learnability, que é a capacidade e o desejo do indivíduo de adaptar o seu set de competências de modo a manter-se empregado a longo termo.

    O que poderá acontecer se não se apostar no aumento das competências dos indivíduos?
    JP: Os fatores estruturais estão a alterar o mercado de trabalho.  As pessoas com competências podem tirar vantagens da tecnologia e da globalização e terão um bom futuro. Já aquelas com competências limitadas espera-lhes uma vida mais dura. Por isso, o grande desafio para as organizações e para os países será tornar as pessoas mais competentes para que possam aproveitar as vantagens das mudanças que estão a ocorrer. Se isto não acontecer, ou seja, se não se apostar no aumento da competência dos indivíduos, poderemos assistir ao aumento do populismo e das preocupações em torno da imigração. É ainda necessário aumentar a participação das mulheres na força de trabalho porque esta participação está aquém do que poderia ser. As mulheres têm um nível de educação maior que o dos homens na maioria dos países, mas a sua participação é 20 a 30% mais baixa.

    Os millenials acreditam que conseguirão alcançar a paridade de género...
    MS: Quando apresentámos uma pesquisa no ano passado onde era referido que os millenials acreditavam que seriam eles a alcançar a igualdade de género, os boomers afirmaram “nós também dissemos isso” ... 

    E a evolução tecnológica, que impacto vai ter ao nível das competências e do capital humano?
    JP: É muito difícil de prever o que vai acontecer, mas se a História pode dar-nos alguma indicação é que vai haver um tempo de disrupção que julgamos ser o período que vivemos agora e no final vão ser criados mais empregos do que aqueles que vão ser perdidos. A nosso ver, por trabalharmos com muitos empregadores e lidarmos com muitos cientistas, acreditamos que a maioria dos empregos não vai ser substituída, mas vai ser impactada pela tecnologia. Não é 5 a 10% dos trabalhos que vão desaparecer, mas 5 a 10% de novos trabalhos que serão criados, apesar de não sabermos quais, mas foi o que aconteceu no passado. Depois, cerca de 60 a 70% dos empregos irão mudar essencialmente devido ao impacto da tecnologia, mas não serão substituídos. E as pessoas para conseguirem tirar proveito disto terão de ter competências e learnability porque tudo irá acontecer muito depressa. Nós estabelecemos mesmo um Learnability Quotient (LQ) porque pensamos que o desejo e a habilidade para a aprendizagem ao longo da vida serão melhores preditores de performance e de empregabilidade no futuro do que a experiência passada. E isto é uma grande mudança para várias organizações.

    Mas apesar de todas essas mudanças, o nosso sistema de educação não está a mudar...
    MS: Esse é realmente um dos grandes problemas. Temos de ter a educação lado-a-lado com o empregador. E ainda não há modelos efetivos nesse sentido.
    JP: Os governos são eleitos apenas por curtos períodos de tempo e a educação precisa de 30 ou 40 anos para se ver o impacto das medidas. 

    E sobre a flexibilidade do local de trabalho, que comentários tecem?
    MS: Uma das coisas que descobrimos no nosso estudo sobre millenials é que tanto as mulheres como os homens querem aquilo a que se chama “one life”, que é gerir a vida pessoal e profissional apenas como uma vida. O que não acontecia até então.  Por exemplo, lembro-me do meu primeiro patrão me dizer “não traga a sua vida pessoal por essa porta”. Mas temos de ajudar os millenials a fazer isso dando-lhes mais controlo sobre como e onde trabalham. Isto não é possível em todos os empregos, mas naqueles que é a tecnologia pode ajudar imenso.


     
    Em RH Magazine, edição maio/junho 2017
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