Conclusões do ManpowerGroup Employment Outlook Survey: 3º trimestre de 2026
Depois de um terceiro trimestre marcado por maior prudência nas intenções de contratação, os empregadores portugueses antecipam uma recuperação do mercado de trabalho no final de 2026. Os dados do ManpowerGroup Employment Outlook Survey revelam uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +32% para o último trimestre do ano, traduzindo um aumento de 14 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 19 pontos percentuais relativamente ao mesmo período de 2025.
O alívio das tensões globais observado durante o mês de julho, a necessidade crescente de concretizar a transformação tecnológica das organizações e a resiliência da economia portuguesa, impulsionada pela recuperação das exportações, pela robustez do consumo privado e pela continuidade do investimento, contribuíram para um reforço da confiança dos empregadores e para uma recuperação das intenções de contratação.
Apesar disso, persistem fatores de risco com potencial impacto no mercado de trabalho. O desemprego continua próximo de mínimos históricos, mantendo a pressão sobre a disponibilidade de talento, ao mesmo tempo que o agravamento recente das tensões geopolíticas voltou a pressionar os preços da energia, a inflação e as taxas de juro. Neste contexto, as empresas continuam a contratar, mas fazem-no de forma cada vez mais criteriosa. Assim, embora 44% dos empregadores portugueses pretendam aumentar as suas equipas no próximo trimestre, 44% planeiam manter o número atual de colaboradores e 12% antecipam reduções.
Evolução na Projeção para a Criação Líquida de Emprego (2020-2026)
"Vivemos um momento em que forças contraditórias impactam o mercado de trabalho. Se por um lado, a volatilidade na geopolítica global, com impactos ao nível dos preços da energia, inflação e taxas de juro diretoras acrescentam novos desafios às organizações, limitando a criação de emprego, por outro a necessidade de acompanhar a transição digital e a adoção da IA, estão a impulsionar investimentos e aumentar a necessidade de perfis especializados ", afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal.
"Os resultados deste trimestre mostram, por isso, um mercado de trabalho que continua resiliente e com previsões de aumento nas contratações, mas que está a mudar gradualmente. As organizações não estão apenas a recrutar para crescer, estão também a recrutar para transformar as suas equipas e responder a novas exigências tecnológicas, operacionais e de negócio. Os empregadores continuam a demonstrar confiança no futuro, mas são cada vez mais seletivos nas suas decisões de contratação apostando de forma cada vez mais estratégica nas competências críticas de que necessitam para navegar esta fase de transformação.”
Crescimento das empresas e transformação lideram motivações de contratação, enquanto downsizing, automação e desafios económicos impulsionam a redução de equipas
O crescimento das empresas continua a ser o principal motor das intenções de contratação em Portugal, sendo referido por 42% dos empregadores. A escassez de talento mantém igualmente um forte impacto, com 27% das empresas a procurarem preencher vagas que permaneceram abertas no trimestre anterior.
Ao mesmo tempo, a transformação do trabalho continua a ganhar importância. Mais de metade dos empregadores portugueses que pretendem contratar (56%) associam essa decisão à criação de novas funções, aos avanços tecnológicos ou à necessidade de atualizar competências para manter a competitividade.
Por outro lado, a redução de equipas continua a ser motivada sobretudo por fatores de mercado e tecnológicos. A reestruturação ou downsizing (25%), o impacto da automação (25%) e os desafios económicos (23%) surgem como os principais fatores apontados pelos empregadores.
Os resultados mostram um mercado de trabalho que continua a criar emprego, mas em que as empresas recrutam de forma cada vez mais seletiva, privilegiando competências alinhadas com a transformação tecnológica e dos modelos de negócio.
Indústria lidera as intenções de contratação e atinge máximos de quatro anos
Todos os setores analisados apresentam Projeções para a Criação Líquida de Emprego positivas para o último trimestre de 2026.
O setor da Indústria destaca-se com a projeção mais elevada do país (+40%), alcançando também o valor mais alto dos últimos quatro anos. Trata-se de um crescimento de 16 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 37 pontos percentuais face ao mesmo período de 2025, quando a instabilidade associada às políticas tarifárias globais condicionava as expectativas dos empregadores.
Projeção de Emprego por Setor
Seguem-se os setores de:
Em sentido contrário, Utilities & Recursos Naturais (+16%) apresenta a projeção mais baixa e é o único setor a registar uma diminuição face ao trimestre anterior.
As cinco regiões portuguesas apresentam intenções de contratação positivas para os últimos meses de 2026.
A Região Centro destaca-se com a Projeção para a Criação Líquida de Emprego mais elevada do país (+50%), registando também a maior evolução face ao trimestre anterior (+38 pontos percentuais) e ao período homólogo (+31 pontos percentuais).
A Grande Lisboa apresenta igualmente uma perspetiva muito favorável, com uma projeção de +40%, reforçando significativamente as intenções de contratação face ao ano anterior.
Num segundo patamar surgem:
Também ao nível da dimensão das empresas, as perspetivas permanecem positivas em todas as categorias.
As Grandes Empresas até 1000 trabalhadores lideram com uma projeção de +40%, seguidas pelas:
As Microempresas (+14%) são a única categoria a registar uma diminuição das intenções de contratação face ao trimestre anterior, apresentando simultaneamente a projeção mais baixa do estudo.
A nível global, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego situa-se nos +29%, representando um aumento de 2 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 6 pontos percentuais em termos homólogos.
As intenções de contratação melhoraram em 37 dos 42 países e territórios analisados, refletindo uma recuperação generalizada da confiança dos empregadores.
Na Europa, a Projeção sobe para +20%, recuperando cinco pontos percentuais face ao trimestre anterior. Ainda assim, continua a ser a região com as intenções de contratação mais moderadas.
Na América do Norte, a Projeção recua para +35%, refletindo sobretudo a desaceleração observada nos Estados Unidos, onde as intenções de contratação diminuíram nove pontos percentuais, fixando-se nos +36%, após os níveis excecionalmente elevados registados no trimestre anterior.
[1] Projeção para a Criação Líquida de Emprego resulta da diferença entre a percentagem de empregadores que planeia aumentar a sua força de trabalho e a percentagem de empregadores que planeia reduzi-la.