Tendências do Mundo do Trabalho: Setor Aeroespacial e de Defesa

O setor Aeroespacial e de Defesa está a atravessar um dos períodos mais desafiantes e transformadores da sua história. Entre tensões geopolíticas crescentes, avanços tecnológicos acelerados e uma escassez crítica de talento, as organizações enfrentam uma pressão sem precedentes para se reinventarem.

O Global Insights 2025 – Aeroespacial e Defesa, do ManpowerGroup, analisa as principais tendências que estão a moldar o futuro do setor, o seu impacto no mundo do trabalho, e quais os insights críticos que líderes e organizações precisam de compreender para garantir resiliência, competitividade e crescimento sustentável.

 

Tendência 1: Uma Tempestade Geopolítica Perfeita

A geopolítica deixou de ser um pano de fundo distante para passar a influenciar diretamente decisões operacionais, cadeias de abastecimento e estratégias de atração e gestão de talento. O setor enfrenta um cenário onde instabilidade e urgência coexistem.

À medida que as operações regressam a mercados considerados mais “seguros”, surge um novo desafio: como garantir talento qualificado onde ele é mais difícil de encontrar? A localização reduz riscos, mas também expõe fragilidades na disponibilidade de competências críticas.

A automação, por si só, não basta para resolver os desafios do setor e é necessário talento especializado e inovador para alimentar as novas fábricas e o aumento da produção. Neste contexto, os empregadores portugueses do setor industrial identificam como mais difíceis de encontrar as competências em produção (41%), engenharia (25%) e desenvolvimento de modelos e aplicações em IA (24%).[1]

Talent Insight

88% dos empregadores do setor industrial em Portugal não conseguem encontrar o talento qualificado de que necessitam1. Será necessário alargar as bases de talento para aumentar a consideração entre grupos que, tipicamente, podem não estar abertos a oportunidades de carreira neste setor.


Tendência 2: Reinvenção no Chão de Fábrica

As fábricas já não são apenas espaços de produção, são ecossistemas digitais altamente conectados. A integração de tecnologia avançada está a transformar a forma como se produz, se decide e se compete.

No entanto, quanto mais inteligentes se tornam os sistemas, maior é a dependência de profissionais qualificados capazes de os compreender, interpretar e corrigir quando algo falha.

A mudança para plataformas digitais vem exigir um novo conjunto de competências entre os trabalhadores. A análise de dados, a cibersegurança e o desenvolvimento de software tornar-se-ão competências essenciais. No entanto, estes são perfis altamente qualificados e escassos, e os fabricantes vão enfrentar uma forte concorrência de outros setores para atrair e reter o talento técnico essencial para acompanhar a evolução tecnológica da indústria.

 Talent Insight

As consequências de uma má aquisição e retenção de talento neste setor são mais elevadas do que em qualquer outro: um fabricante médio do setor aeroespacial e de defesa perde até 330 milhões de dólares por ano devido a ineficiências de talento[1]. Para poderem atrair novos perfis, as empresas devem superar perceções ultrapassadas da indústria e reforçar um employer branding que destaque os novos ambientes modernos e inovadores.

 

Tendência 3: Requalificação para a Era da IA

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade operacional. Está a transformar a indústria ao aumentar a eficiência, a precisão e a capacidade de adaptação, permitindo decisões mais rápidas e inteligentes, reduzindo paragens, otimizando custos e aumentando a segurança.

No setor da indústria avançada, 81% dos empregadores planeiam utilizar a IA para melhorar processos existentes[1]. Esta é uma evolução que vai exigir novas competências por parte das equipas e a aposta no desenvolvimento de competências de literacia em IA, que deve estender-se a todos os níveis da organização, incluindo o chão de fábrica e os trabalhadores da linha da frente.

 Talent Insight

Em Portugal, os empregadores do setor industrial afirmam que as carências nas competências da força de trabalho (30%) são um dos principais desafios à adoção da IA[1]. Do mesmo modo, e segundo o Foro Económico Mundial, pelo menos 1 em cada 3 trabalhadores da linha da frente terá de ser capacitado para adquirir competências em IA nos próximos anos, pelo que estes programas têm de ser escalados.

 

Tendência 4: O Imperativo da Segurança

Num setor onde a confiança, a precisão e a proteção de informação são críticas, a segurança tornou-se um dos maiores desafios estratégicos. A digitalização acelerada expandiu as oportunidades, mas também aumentou a superfície de risco.

Ciberameaças, sabotagem e riscos internos colocam uma pressão crescente sobre organizações que operam em ambientes de elevada complexidade e sensibilidade.

Em 2024, 25% de todos os ciberataques mundiais tiveram como alvo empresas industriais, fazendo deste o setor mais visado[1].

 Talent Insight

Encontrar e reter o talento e expertise certos em cibersegurança continuará a ser uma prioridade estratégica para o setor aeroespacial e de defesa. No entanto, com muitos setores a enfrentarem riscos de segurança crescentes, terá de competir com outras indústrias para atrair e reter o melhor talento.

 

Tendência 5: Escalar a Produção Num Mundo Incerto

Num cenário de incerteza geopolítica, cadeias de abastecimento instáveis e envelhecimento da força de trabalho, escalar a produção tornou-se um desafio crítico. A inovação acelera, mas a falta de talento especializado capaz de executar e sustentar a transformação limita o crescimento.

A escassez de competências técnicas, aliada à saída de profissionais experientes, coloca em risco a produtividade, a continuidade operacional e os planos de longo prazo. Por outro lado, à medida que as indústrias aeroespacial e de defesa evoluem, também evoluirá a demografia das suas bases de talento. A entrada de gerações mais jovens, incluindo Millennials e a Geração Z, trará novas perspetivas e uma forte afinidade com a tecnologia. Estes nativos digitais impulsionarão a inovação e contribuirão para o crescimento do setor.

Talent Insight

Atrair e fidelizar o talento jovem será um desafio, pois estas gerações procuram um trabalho com propósito, significado e alinhamento de valores. A Gartner estima que o custo médio de rotatividade por colaborador é de 18.591 dólares, pelo que reforçar o foco na formação e no desenvolvimento de percursos de carreira, como forma de comprometer essas bases de talento, será um investimento que gera poupança a prazo.

Investir no planeamento estratégico da força de trabalho para preparar o futuro torna-se hoje fundamental para o setor da indústria aeroespacial e da defesa:. Apesar dos desafios externos, as empresas podem controlar o essencial: construir equipas preparadas para o futuro, desenvolver competências críticas, impulsionar a inovação e reforçar a produtividade. É nesta capacidade de preparar hoje o talento de amanhã que reside a maior oportunidade estratégica para todo o setor.

Descarregue o estudo e fique a conhecer as principais tendências do setor e como estas afetam a gestão de talento.


[1] ManpowerGroup Global Talent Shortage 2026 

[2] McKinsey

[3] WEF Future of Jobs Report 2025 

[4] ManpowerGroup Global Talent Shortage 2025

[5] IBM X-Force Threat Intelligence Index 2024 

 

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